Relacionamentos conflituosos: de quem é a culpa?

Nós descemos à Terra para mais uma experiência material carregando na “mala” três objetivos essenciais: 1. Melhorar (ou curar) nossas inferioridades; 2. Harmonizarmo-nos com espíritos irmãos; 3. Gerar bons exemplos. A partir disso, o enfoque do texto de hoje será sobre a tarefa de número dois, que consiste, basicamente, nos nossos relacionamentos.

Não há como negar que a convivência humana não é fácil. Estamos, quase o tempo todo, nos relacionando com outras pessoas. Seja na escola, na faculdade, no trabalho, na família, no grupo de amigos, em cursos, e por aí vai. E dentro dessas relações, há quem temos maior sintonia, maior ligação, e há aqueles pelos quais sentimos que “nosso santo não bate”, como costumamos dizer.

Na escola, pode ter aquele colega que se destaca e chama mais a atenção e, consequentemente, podemos criar uma antipatia para com ele. No trabalho, podemos ter problemas em lidar com nosso chefe ou até com um ou mais colegas; pode ter aquela pessoa que trabalha ao nosso lado e parece que tudo que ela fala ou faz nos causa irritação. Na família, podemos sentir que nosso pai ou nossa mãe tem preferência ao outro filho a nós; podemos ter aquela tia que vive insistindo em dar “pitaco” na nossa vida e nos magoamos. Nos relacionamentos conjugais, podemos ter convivências com muitos altos e baixos, gerando muitas brigas.

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Tem aquelas pessoas que não nos valorizam. Tem outras que parecem abusar de nossa boa vontade. Tem, ainda, aquelas que parecem viver só para nos incomodar, nos “encher o saco”, tirar a nossa paz. Tem também aquelas que parecem sentir prazer em nos magoar, nos dizendo coisas para estremecer a nossa autoestima. E, ainda, tem aquelas que são extremamente teimosas, que insistem em não ouvir o que dizemos a elas e não fazem o que achamos certo. Por aí vai…

Identificou-se em pelo menos uma das situações? Sim? Então eu te pergunto: será assim mesmo? Será que são essas pessoas que são realmente responsáveis, as “culpadas”, pela maneira como nos sentimos? Se uma pessoa nos faz sofrer, como mudar essa situação? Afastar-se seria a melhor solução? Ou o certo seria exigir que ela mude?

Existe apenas uma resposta a todas essas questões: está tudo dentro de ti!

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Chato saber disso né? “Como assim Juliana? A pessoa é uma ‘mala sem alça’ e eu é que sou a culpada disso?”… Mais ou menos por aí. Não que a pessoa se exima de ser como ela é, mas a questão toda é como reagimos a ela. A maneira como a pessoa age é karma dela, já a maneira como nós reagimos é karma nosso.

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Explicando melhor. Certa vez, ouvi uma terapeuta dizer o seguinte: só existem duas razões pelas quais nos incomodamos com as pessoas – 1. ou é por que essa pessoa é nosso espelho, ou seja, reflete algo que não temos bem resolvido dentro de nós; ou 2. estamos querendo mudar essa pessoa. Confesso que quando ouvi isso, levei um choque: como assim só existem essas duas razões? Deve haver mais sim! E, desde então, passei a prestar mais a atenção nas situações em que uma relação com uma pessoa estava me incomodando. E, para não dizer que foram 100% das vezes, afirmo que 90% entraram na 2ª opção.

Sim. Em quase todas as situações em que eu estava diante de uma pessoa e a maneira com que ela agiu ou o que ela disse me incomodou, chateou, irritou, eu identifiquei que a origem disso estava no meu julgamento, isto é, naquele momento eu achava que ela deveria agir diferente… ou, simplesmente, ser diferente. E como isso se chama? Orgulho! Ah, esse danado… Devido ao orgulho, não concordamos com a forma que a pessoa age ou pensa e julgamos que ela deveria agir ou pensar como nós achamos melhor. E é aí que começam os problemas!

Não-podemos-exigir-que-os-outros-seham-como-queremos-pois-nem-nós-somos.-Lao-Tsé

Conforme um trecho do livro Evolução Espiritual na Prática, de Bruno Gimenes e Patrícia Cândido (p. 94): “Estas cobranças de comportamento são as grandes causadoras de conflitos entre as famílias e as principais responsáveis pelo aprisionamento que as almas têm umas com as outras…”. E quando eles dizem família, podemos substituir por qualquer outro tipo de relacionamento, embora na família isso seja mais gritante.

Como queremos cobrar que uma pessoa seja diferente, se muitas vezes nem nós mesmos conseguimos mudar? Como queremos exigir que uma pessoa mude se não sabemos a idade do espírito dela, que inclusive pode ser mais evoluído e sábio que o nosso? Como mudar uma pessoa que há centenas ou milênios está formando a sua personalidade? Como eu costumo brincar, mas com um pingo de verdade: “não somos Deus, como queremos ter a pretensão de mudar alguém?”. As exigências de mudanças estão entre as principais causas de transtornos e revoltas.

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“Mas aí então devemos nos eximir de tentar ajudar alguém? Devemos nos eximir de querer apenas que a pessoa viva melhor, por isso queremos que ela mude? Se, muitas vezes, queremos que alguém mude, é por que a amamos e queremos o bem dela”. Sim, e eu concordo 100% com isso! Mas não esqueça da 3ª razão pela qual estamos aqui: gerar bons exemplos. Isto é, a nossa parte devemos fazer sempre, que é orientar, consolar, auxiliar, etc, porém se a pessoa vai corresponder, aí é outra história.

Tolerância Gandhi

Se existem 7 bilhões de pessoas no Planeta, existem 7 bilhões de verdades. O que faz sentido para mim pode não fazer para o outro. O que serve para mim pode não servir para o outro. Portanto, o maior aprendizado que isso tudo nos mostra é que devemos exercitar, acima de tudo, respeito e aceitação. E isso só vai ser possível quando tivermos muito bem seguros e fundamentados nossos princípios e valores.

E, por falar em aprendizado, vamos a 1ª questão então: se eu convivo com alguém que me incomoda, me magoa, me chateia, me irrita, etc., e se, no Universo, semelhante atrai semelhante, é por que algo eu tenho a aprender com essa pessoa! E por que ela tem essa influência toda sobre mim? Ou é por que eu estou permitindo – e aí entra a frase de Buda: “se você não está gostando do que está recebendo, perceba o que está emitindo” – de acordo com as minhas atitudes, ou até mesmo por não falar claramente o que eu penso, não impondo respeito; ou é por que dentro de mim há algo precário, precisando de atenção, que sob qualquer palavra ou atitude, já desperta um sentimento negativo ou desequilibrado em mim.

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Se eu estou sempre me magoando com o que os outros dizem, é por que eu sou insegura em relação a mim mesma, e aí entra autoestima, aí entra amor próprio que está gritando por atenção! Se as pessoas me irritam, se parece que o mundo está num complô contra mim para me tirar do sossego, é por que eu não estou sendo humilde, respeitando e aceitando as pessoas como elas são, o tempo de cada um. E aí entra egoísmo, aí entra orgulho que está precisando de equilíbrio. Compreende?

Ainda, podemos incluir a questão do karma: não só atraímos as pessoas e situações certas que fazem aflorar o que precisa ser melhorado dentro de nós (os gatilhos, para quem já leu Como Aproveitar a Sua Encarnação, do Mauro Kwitko), como também estamos ligados por laços kármicos. Isto é, temos pessoas no nosso convívio que precisamos nos harmonizar, devido a situações que ocorreram em outras vidas.

Você sofre por que um irmão cometeu uma injustiça contigo? Você se magoa por que percebe que você faz tudo por alguém, e essa pessoa não valoriza? Você sofre por que alguém te traiu ou abandonou? Então é neste momento que, conforme uma crença e visão reencarnacionista, devemos refletir o que podemos ter feito em uma outra vida para estar passando por isso. Geralmente acontece o oposto: se numa vida roubamos, na outra somos roubados; se numa vida traímos, na outra somos traídos, etc., para vivermos na “pele” o que um dia já causamos.

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É difícil, com certeza. Novamente, como sempre comento aqui no blog, tudo é uma questão de autoconhecimento, que vem com a Reforma Íntima. Quando nos conhecemos, sabemos das nossas inferioridades, ou seja, daquilo que precisamos melhorar, daquilo que nosso espírito tem a tendência a sentir, e afrouxamos a pressão que colocamos em nós mesmos e nos outros.

Conforme uma frase em uma regressão uma vez: “quem quer provar algo para alguém é o ego, o espírito sabe que basta apenas tentar”. Tentemos ser mais compreensíveis uns com os outros. Tentemos ser mais tolerantes. Tentemos ser mais humildes e pacienciosos. Tentemos, acima de tudo, ter mais compaixão. Todos somos centelhas de Deus, isto é, todos temos a divindade dentro de nós, ninguém é melhor do que ninguém. Todos temos um lado bom, um lado que quer atenção e amor.

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Todos queremos amar e sermos amados. E, por isso, no próximo texto, farei a continuação deste assunto, porém com enfoque nos relacionamentos conjugais. Até lá 😉

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