Ano novo… vida velha?

Há alguns dias, me chamou a atenção algumas falas de pessoas próximas, seja no Facebook (onde tudo acontece), seja pessoalmente. Essas pessoas estavam reclamando de 2016*, ano que estava findando – mas que “não acabava nunca”, segundo elas próprias – e desejando fortemente que este ano começasse logo. Traduzindo em miúdos, o que eu entendi a partir da fala, de certa forma, martirizada dessas pessoas é: o ano de 2016 já trouxe problemas suficientes, não aguentavam mais o que estavam passando, e queriam que 2017 começasse logo, pois, segundo elas transpareciam, tudo se acalmaria e a vida voltaria a ser tranquila, serena e sem problemas. Fiquei pensando… será?

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Será que a troca de um ano para outro, a virada no calendário, o dia 31 de um ano pelo dia 1º de outro, tem a incrível capacidade “mágica” de retirar todos os problemas que o ano, aparentemente, está carregando? Será mesmo que o “culpado” dos problemas estarem ocorrendo na vida dessas pessoas é realmente o “ano”?

Ainda acompanhada por esse pensamento, poucos dias depois, coincidentemente ou não (pois eu não acredito em coincidências), li uma frase assim no Facebook: “O ano não vai ser novo se você for o mesmo”. E então, parece que obtive o esclarecimento para a inquietação que estava me martelando a respeito dessa relação entre ano velho/ano novo/problemas na vida.

O que tenho pra mim é: precisamos parar, de uma vez por todas, de encontrar “culpados” para os nossos próprios problemas no exterior, em alguém, em alguma situação. De uma vez por todas, precisamos entender que somos responsáveis por aquilo que acontece conosco, afinal, nós é que pilotamos o veículo da nossa própria vida. Conforme uma frase de Carl Jung, psiquiatra e psicoterapeuta suíço do século XIX: “Eu não sou o que aconteceu comigo, eu sou o que escolhi me tornar”.

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E enquanto continuarmos a colocar a “culpa” nos outros, enquanto continuarmos nos martirizando por problemas que até então achamos que de nada temos responsabilidade, os problemas só mudarão de nome, de lugar, mas serão sempre os mesmos. Pois os problemas sempre existirão, a grande questão é a forma como reagimos a eles, como os encaramos, a perspectiva que damos a eles. Tenho problemas? Ok, mas o que eu posso ter feito, pensado ou reagido para originar ou, até mesmo, atrair esse problema que estou passando? Será que se lamentar, se revoltar e colocar a culpa no ano – já que estamos nessa época – irá solucionar o problema? Será que é válido achar que um ano, milagrosamente, irá mudar a sua vida por si só?

Um ano pode sim mudar a nossa vida! Afinal, nessa época somos invadidos por um sentimento de esperança, de renovação, de promessas e desejos. Tudo isso é extremamente válido e maravilhoso, mas se encararmos de modo a sabermos que isso tudo só se concretizará se assim agirmos para tal, e não porque o ano X trará sorte ou não. Será que não é a nossa energia, o tipo de emoções e sentimentos que vibramos e alimentamos em nossa vida, a maneira como encaramos as situações, como tratamos os outros, que tem relação na forma como o ano decorre?

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Será que não é mudando a nossa maneira de agir, conosco mesmo e com as pessoas ao nosso redor, que atrairemos sorte e felicidade? Se eu decidir que no próximo ano eu serei mais paciente, serei mais amoroso com meus amigos e familiares, que serei mais calmo e não alimentarei a raiva e o rancor, que eu ajudarei mais o próximo… será que não são essas atitudes que realmente determinarão um ano e a nossa vida como um todo? Será que é tão mais fácil assim colocar a responsabilidade no ano, que se for par eu terei sorte e se for ímpar terei azar e vice-versa, como muitas pessoas alegam?

Agir dessa maneira não é tão difícil quanto parece. Apenas exige disciplina, que é algo que temos que ter como importante prioridade em nossa vida. Afinal, quando alguém quer um carro novo, tão logo começa a ser disciplinado para guardar dinheiro para adquiri-lo. Quando alguém quer um sapato da moda, sem perceber começa a economizar e ser disciplinado para pagar as parcelas. Por que, então, é sacrificante ter a disciplina no que vem de dentro da gente, isto é, nos nossos pensamentos, nas nossas emoções e sentimentos, nas nossas ações e atitudes para conosco e com os outros?

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Já que é uma época de celebrar o Natal e o nascimento de Jesus Cristo, utilizemos uma frase do próprio: “Orai e Vigiai”. Tal conselho nunca foi tão importante e vital para que todos nós passemos a seguir. Com tanta informação disponível, tantas oportunidades de aprendizados, precisamos cada vez mais estarmos conscientes e retirarmos o véu que desfoca o que realmente entendemos como realidade, e não aquilo que nos é imposto, pelo sistema ou pela mídia, por exemplo. É preciso que encaremos, também, as nossas questões internas, aquilo que nosso coração fala, e não somente olhar para o exterior, para o físico, para a aparência. “Orai e Vigiai” nada mais é do que estarmos atentos aos próprios pensamentos e sentimentos, saber de tudo o que acontece dentro da gente e encarar isso com responsabilidade, como criadores da nossa própria vida.

Por isso, a minha mensagem para o ano novo é: se você percebe que vem repetindo certos padrões de comportamentos e pensamentos, ano após ano, e você se vê rodeado de problemas e ainda pensa que a virada do ano irá resolvê-los, está na hora de rever os seus conceitos, de rever a forma como você enxerga a si mesmo no meio das situações que acontecem na sua vida. Por isso, conforme a frase do Facebook: se o ano é novo, seja novo! Renove os votos de esperança, mas renove também a vibração do seu coração e da sua consciência.

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Faça planos, tenha sonhos, mas que envolvam os outros também, não somente a si mesmo. Faça caridade. Ajude o próximo. Doe o que não serve mais e que pode ser de grande valia a outra pessoa. Se doe. Passe o conhecimento. Leia mais e veja menos televisão. Sorria mais e lamente menos. Abrace quando sentir vontade de explodir. Se preocupe mais com temas importantes que envolvem o nosso Planeta e não vire a cabeça para a fofoca do dia. Queira, deseje, do fundo do seu coração, que o próximo ano, SIM, traga mais paz e alívio para os seus problemas. Mas mude. Mude seus pensamentos, mude suas emoções, mude a forma como seus sentimentos vibram e são destinados aos outros. Aí sim, é possível ver que um ano, “milagrosamente”, trouxe sorte e resolução para seus anseios!

Feliz Ano Novo! Feliz Você Novo!

*Texto originalmente escrito para o site Viva mais verde em 2014: alterei para 2016.

Mude seu foco: ações práticas para viver o NÓS

No texto anterior, falei sobre como os Mestres de Luz procuram nos ensinar sobre a importância de vivermos o NÓS, de nos doarmos, visto que muitas pessoas vivem imersas em sofrimentos porque justamente só vivem o EU.

Ainda ontem presenciei uma Regressão que abordava mais ou menos isso. Uma pessoa, em outra vida, que tinha uma vida inútil, só se martirizava e ainda culpava Deus, pois se realmente Deus existisse, por que Ele deixou ELA ser tão sofrida? E então, após o desencarne, quando estava no Plano Astral e foi receber orientação de seu Mentor, ela levou um sermão. Isso mesmo que você leu, sermão! E dizia o seguinte:

“Não culpe Deus se você não arregaçou as mangas e foi à luta. Não culpe Deus se você nunca quis dar um sorriso. Não culpe Deus se você quis enxergar a sua vida sem cor. Não culpe Deus se você sentia prazer em seu próprio sofrimento para chamar a atenção. Não culpe Deus se você não se importou em deixar um legado após a sua morte. Não culpe Deus se você não lutou para ter a sua individualidade, se deixando ser uma qualquer. Você é quem cria a sua própria realidade. DEUS AJUDA QUEM SE AJUDA!”

Forte né? Imagina chegar de volta à nossa morada e encontrar o seu Amigo Espiritual, aquele que tanto quis te ajudar, te orientar, que possui todo amor e toda paciência e compaixão do mundo, desse jeito. Literalmente se sentindo de mãos atadas porque seu pupilo ou sua pupila passou essa vida inútil, culpando Deus e todo mundo, e exigindo que a vida fosse diferente, mas ficou de braços cruzados esperando os milagres acontecerem.

Ok, mas já falei bastante sobre isso no texto anterior e hoje o foco é partirmos para a prática. Já entendemos a importância de buscarmos viver o NÓS, nos doando e fazendo a nossa parte, certo? Então agora é hora de ver COMO:

Doações materiais

Uma das primeiras ideias que nos surgem quando falamos em caridade e doações é a doação de dinheiro. De maneira alguma a doação em dinheiro é errada, porém temos que ter o cuidado de esse tipo de doação não se tornar uma armadilha. Explicando melhor: é muito cômodo eu achar que estou fazendo uma grande ação tirando 10 reais da carteira para ajudar aquele grupo de voluntariado e pronto, não fiz mais do que minha obrigação, sem mais esforços da minha parte. O ato não é errado, apenas devemos enxergá-lo da maneira correta e termos consciência disso.

Outro tipo de doação material é verificarmos em nossas casas o que temos sobrando, o que não está sendo usado e que possamos doar, por exemplo: roupas, cobertas, eletrodomésticos, produtos, etc. Esta prática é muito boa, pois além de você fazer a energia da sua casa circular, tirando o que está parado, você está exercendo o desapego, algo muito positivo em termos espirituais e energéticos. Então, periodicamente, faça um inventário de tudo que você possa passar adiante, sempre para alguém isso será muito útil!

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Grupos de voluntariado

Eles existem aos montes. Em qualquer comunidade, em qualquer entidade, você pode encontrar um lugarzinho para prestar algum auxílio. Seja ajudando as crianças, seja ajudando os idosos, seja ajudando os animais. Não há discriminação nessa hora, pois o importante é ajudar e você se sentir bem ajudando aquele determinado grupo.

Se você não tem muito tempo para estar ativo no grupo, participe em eventuais ocasiões: o grupo pode precisar de um evento para arrecadar fundos, então ajude a organizá-lo ou participe no dia do evento ajudando de alguma forma; pense em uma campanha criativa para ajudar a divulgar a causa e, ainda, angariar verba; mova esforços para ajudar a criar um site, um material educativo, uma página no Facebook… com essa divulgação, você pode até ajudar a conseguir mais adeptos à causa do grupo em questão; faça produtos que o grupo possa vender e obter mais lucro, ou até mesmo patrocine um produto que o grupo comercialize, como camisetas, pois assim o valor que você pagará se multiplicará quando voltar para o grupo; e por aí vai…

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Grupos espiritualistas

Outra maneira maravilhosa de fazer a sua parte é frequentar um centro espírita, espiritualista, umbandista ou qualquer outra religião que você se sinta bem. Quando nos unimos a um grupo com propósitos espirituais, ajudamos a multiplicar esta energia e não somente estaremos ajudando os outros, como a nós mesmos. Quando movemos esforços para ajudar a nós mesmos, consequentemente estamos criando uma energia que beneficia outros a nossa volta também.

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Você também pode criar a sua própria atividade espiritualista em casa, como praticar o Evangelho no Lar. Seja sozinho ou reunindo a família, a prática do Evangelho no Lar faz com que se crie um ponto de luz na sua casa e, quanto mais você o pratica, mais essa luz se expande, beneficiando toda a vizinhança e, até mesmo, a cidade. O Evangelho no Lar consiste na leitura de uma obra sagrada, sempre no mesmo dia e horário da semana, que pode ser o Evangelho Segundo o Espiritismo ou qualquer outra obra espiritualista que você goste.

Ainda, você pode participar de outros tipos de grupos, como grupos de meditação, grupos de estudos, grupos de práticas energéticas como a dança circular ou yoga, e etc. Qualquer grupo que expanda o seu conhecimento e a sua energia estará, automaticamente, também beneficiando outros ao seu redor. Não há preço que pague você poder ajudar alguém com algum conhecimento ou com alguma prática que você aprendeu.

Cursos de Reiki

Essa dica eu dou para todas as pessoas que chegam até a mim e dizem: “Ju, eu gostaria de ajudar mas não sei como!” Os cursos de Reiki são meios maravilhosos de fazermos a nossa parte, de ajudarmos os outros e, ainda, transformarmos completamente a nossa vida. Quem já passou pelos cursos de Reiki sabe o quão o Reiki se torna uma bênção em nossas vidas.

Com o Reiki, além de você ter uma maravilhosa técnica em benefício próprio, para trabalhar a sua energia e dos locais que você frequenta, a sua proteção, o fortalecimento da sua saúde, você ainda utiliza o Reiki para ajudar a sua família, ou um grande número de pessoas ao mesmo tempo ou sempre que uma pessoa em específico estiver precisando. Para quem ama os animais, também pode utilizar o Reiki para ajudar os bichinhos.

Como isso acontece? Quando nos tornamos Reikianos e aprendemos a técnica, podemos enviar Reiki à distância, ou seja, você pode estar no conforto da sua casa e ainda fazer a sua parte ajudando os outros, reservando poucos minutos do seu dia para emanar Reiki a quem precisar, até mesmo para o Planeta.

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O importante é ajudar…

Aqui eu abordei algumas poucas maneiras de como você pode contribuir e viver o NÓS que tanto abordamos no último texto. Mas quando se trata de ajuda, as opções não param por aí. O importante mesmo é a intenção, você ir atrás e demonstrar interesse, pois assim as opções começam a surgir e você pode sentir com o seu coração o que mais lhe atrai.

E não esqueça: Deus ajuda quem se ajuda! 😉

Relacionamentos conflituosos: de quem é a culpa?

Nós descemos à Terra para mais uma experiência material carregando na “mala” três objetivos essenciais: 1. Melhorar (ou curar) nossas inferioridades; 2. Harmonizarmo-nos com espíritos irmãos; 3. Gerar bons exemplos. A partir disso, o enfoque do texto de hoje será sobre a tarefa de número dois, que consiste, basicamente, nos nossos relacionamentos.

Não há como negar que a convivência humana não é fácil. Estamos, quase o tempo todo, nos relacionando com outras pessoas. Seja na escola, na faculdade, no trabalho, na família, no grupo de amigos, em cursos, e por aí vai. E dentro dessas relações, há quem temos maior sintonia, maior ligação, e há aqueles pelos quais sentimos que “nosso santo não bate”, como costumamos dizer.

Na escola, pode ter aquele colega que se destaca e chama mais a atenção e, consequentemente, podemos criar uma antipatia para com ele. No trabalho, podemos ter problemas em lidar com nosso chefe ou até com um ou mais colegas; pode ter aquela pessoa que trabalha ao nosso lado e parece que tudo que ela fala ou faz nos causa irritação. Na família, podemos sentir que nosso pai ou nossa mãe tem preferência ao outro filho a nós; podemos ter aquela tia que vive insistindo em dar “pitaco” na nossa vida e nos magoamos. Nos relacionamentos conjugais, podemos ter convivências com muitos altos e baixos, gerando muitas brigas.

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Tem aquelas pessoas que não nos valorizam. Tem outras que parecem abusar de nossa boa vontade. Tem, ainda, aquelas que parecem viver só para nos incomodar, nos “encher o saco”, tirar a nossa paz. Tem também aquelas que parecem sentir prazer em nos magoar, nos dizendo coisas para estremecer a nossa autoestima. E, ainda, tem aquelas que são extremamente teimosas, que insistem em não ouvir o que dizemos a elas e não fazem o que achamos certo. Por aí vai…

Identificou-se em pelo menos uma das situações? Sim? Então eu te pergunto: será assim mesmo? Será que são essas pessoas que são realmente responsáveis, as “culpadas”, pela maneira como nos sentimos? Se uma pessoa nos faz sofrer, como mudar essa situação? Afastar-se seria a melhor solução? Ou o certo seria exigir que ela mude?

Existe apenas uma resposta a todas essas questões: está tudo dentro de ti!

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Chato saber disso né? “Como assim Juliana? A pessoa é uma ‘mala sem alça’ e eu é que sou a culpada disso?”… Mais ou menos por aí. Não que a pessoa se exima de ser como ela é, mas a questão toda é como reagimos a ela. A maneira como a pessoa age é karma dela, já a maneira como nós reagimos é karma nosso.

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Explicando melhor. Certa vez, ouvi uma terapeuta dizer o seguinte: só existem duas razões pelas quais nos incomodamos com as pessoas – 1. ou é por que essa pessoa é nosso espelho, ou seja, reflete algo que não temos bem resolvido dentro de nós; ou 2. estamos querendo mudar essa pessoa. Confesso que quando ouvi isso, levei um choque: como assim só existem essas duas razões? Deve haver mais sim! E, desde então, passei a prestar mais a atenção nas situações em que uma relação com uma pessoa estava me incomodando. E, para não dizer que foram 100% das vezes, afirmo que 90% entraram na 2ª opção.

Sim. Em quase todas as situações em que eu estava diante de uma pessoa e a maneira com que ela agiu ou o que ela disse me incomodou, chateou, irritou, eu identifiquei que a origem disso estava no meu julgamento, isto é, naquele momento eu achava que ela deveria agir diferente… ou, simplesmente, ser diferente. E como isso se chama? Orgulho! Ah, esse danado… Devido ao orgulho, não concordamos com a forma que a pessoa age ou pensa e julgamos que ela deveria agir ou pensar como nós achamos melhor. E é aí que começam os problemas!

Não-podemos-exigir-que-os-outros-seham-como-queremos-pois-nem-nós-somos.-Lao-Tsé

Conforme um trecho do livro Evolução Espiritual na Prática, de Bruno Gimenes e Patrícia Cândido (p. 94): “Estas cobranças de comportamento são as grandes causadoras de conflitos entre as famílias e as principais responsáveis pelo aprisionamento que as almas têm umas com as outras…”. E quando eles dizem família, podemos substituir por qualquer outro tipo de relacionamento, embora na família isso seja mais gritante.

Como queremos cobrar que uma pessoa seja diferente, se muitas vezes nem nós mesmos conseguimos mudar? Como queremos exigir que uma pessoa mude se não sabemos a idade do espírito dela, que inclusive pode ser mais evoluído e sábio que o nosso? Como mudar uma pessoa que há centenas ou milênios está formando a sua personalidade? Como eu costumo brincar, mas com um pingo de verdade: “não somos Deus, como queremos ter a pretensão de mudar alguém?”. As exigências de mudanças estão entre as principais causas de transtornos e revoltas.

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“Mas aí então devemos nos eximir de tentar ajudar alguém? Devemos nos eximir de querer apenas que a pessoa viva melhor, por isso queremos que ela mude? Se, muitas vezes, queremos que alguém mude, é por que a amamos e queremos o bem dela”. Sim, e eu concordo 100% com isso! Mas não esqueça da 3ª razão pela qual estamos aqui: gerar bons exemplos. Isto é, a nossa parte devemos fazer sempre, que é orientar, consolar, auxiliar, etc, porém se a pessoa vai corresponder, aí é outra história.

Tolerância Gandhi

Se existem 7 bilhões de pessoas no Planeta, existem 7 bilhões de verdades. O que faz sentido para mim pode não fazer para o outro. O que serve para mim pode não servir para o outro. Portanto, o maior aprendizado que isso tudo nos mostra é que devemos exercitar, acima de tudo, respeito e aceitação. E isso só vai ser possível quando tivermos muito bem seguros e fundamentados nossos princípios e valores.

E, por falar em aprendizado, vamos a 1ª questão então: se eu convivo com alguém que me incomoda, me magoa, me chateia, me irrita, etc., e se, no Universo, semelhante atrai semelhante, é por que algo eu tenho a aprender com essa pessoa! E por que ela tem essa influência toda sobre mim? Ou é por que eu estou permitindo – e aí entra a frase de Buda: “se você não está gostando do que está recebendo, perceba o que está emitindo” – de acordo com as minhas atitudes, ou até mesmo por não falar claramente o que eu penso, não impondo respeito; ou é por que dentro de mim há algo precário, precisando de atenção, que sob qualquer palavra ou atitude, já desperta um sentimento negativo ou desequilibrado em mim.

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Se eu estou sempre me magoando com o que os outros dizem, é por que eu sou insegura em relação a mim mesma, e aí entra autoestima, aí entra amor próprio que está gritando por atenção! Se as pessoas me irritam, se parece que o mundo está num complô contra mim para me tirar do sossego, é por que eu não estou sendo humilde, respeitando e aceitando as pessoas como elas são, o tempo de cada um. E aí entra egoísmo, aí entra orgulho que está precisando de equilíbrio. Compreende?

Ainda, podemos incluir a questão do karma: não só atraímos as pessoas e situações certas que fazem aflorar o que precisa ser melhorado dentro de nós (os gatilhos, para quem já leu Como Aproveitar a Sua Encarnação, do Mauro Kwitko), como também estamos ligados por laços kármicos. Isto é, temos pessoas no nosso convívio que precisamos nos harmonizar, devido a situações que ocorreram em outras vidas.

Você sofre por que um irmão cometeu uma injustiça contigo? Você se magoa por que percebe que você faz tudo por alguém, e essa pessoa não valoriza? Você sofre por que alguém te traiu ou abandonou? Então é neste momento que, conforme uma crença e visão reencarnacionista, devemos refletir o que podemos ter feito em uma outra vida para estar passando por isso. Geralmente acontece o oposto: se numa vida roubamos, na outra somos roubados; se numa vida traímos, na outra somos traídos, etc., para vivermos na “pele” o que um dia já causamos.

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É difícil, com certeza. Novamente, como sempre comento aqui no blog, tudo é uma questão de autoconhecimento, que vem com a Reforma Íntima. Quando nos conhecemos, sabemos das nossas inferioridades, ou seja, daquilo que precisamos melhorar, daquilo que nosso espírito tem a tendência a sentir, e afrouxamos a pressão que colocamos em nós mesmos e nos outros.

Conforme uma frase em uma regressão uma vez: “quem quer provar algo para alguém é o ego, o espírito sabe que basta apenas tentar”. Tentemos ser mais compreensíveis uns com os outros. Tentemos ser mais tolerantes. Tentemos ser mais humildes e pacienciosos. Tentemos, acima de tudo, ter mais compaixão. Todos somos centelhas de Deus, isto é, todos temos a divindade dentro de nós, ninguém é melhor do que ninguém. Todos temos um lado bom, um lado que quer atenção e amor.

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Todos queremos amar e sermos amados. E, por isso, no próximo texto, farei a continuação deste assunto, porém com enfoque nos relacionamentos conjugais. Até lá 😉